Swag, de Justin Bieber está entre os melhores álbuns de 2025. Lista!
Por Flavia Cirino - 30/12/2025 - 12:45

A música pop e suas margens entraram em 2025 com um traço comum difícil de ignorar: artistas como por exemplo Justin Bieber, parecem cada vez mais conscientes das reações que suas obras provocam — e usam isso como combustível criativo.
Muitos dos discos mais comentados do ano soam menos como declarações isoladas e mais como conversas abertas, quase respostas antecipadas às críticas, expectativas e frustrações do público. Em um cenário moldado por feedback instantâneo, redes sociais e microtendências, gêneros e subgêneros deixam de ser territórios fixos e passam a funcionar como campos de teste.
Justin Bieber cai de skate elétrico
Esse movimento cria álbuns que escutam o passado enquanto ajustam contas com o futuro. Não por nostalgia vazia, mas porque tradição, ironia e reinvenção caminham juntas. Alguns desses trabalhos parecem até mais eletrizantes na reação que provocam do que no impacto inicial.
Ainda assim, o efeito coletivo forma um retrato fiel de um ano menos óbvio, mais fragmentado e, justamente por isso, mais estimulante para quem gosta de descobrir música fora do eixo previsível.
Discos que transformam crítica em matéria-prima
Entre os destaques escolhidos por Jon Caramanica, a diversidade estética chama atenção logo de início. Effie, uma das vozes mais inquietas do hyperpop coreano, entrega em Pullup to Busan 4 More Hyper Summer It’s Gonna Be a Fuckin Movie um EP curto, intenso e perfeitamente alinhado ao espírito do agora. A artista bebe de referências como 100 gecs e da confusão pop que define parte do K-pop contemporâneo, embora mantenha distância estratégica dessa indústria. O resultado aponta para o presente imediato e, ao mesmo tempo, para um futuro em ebulição.
Bad Bunny rebate críticas ao ser chamado de ‘novo rei do pop’
Jim Legxacy segue caminho oposto em Black British Music (2025). O rapper, cantor e produtor londrino constrói um álbum atravessado pelo luto, com faixas que misturam hip-hop e folk em estado bruto. Cada música funciona como tentativa de segurar uma memória boa enquanto o mundo insiste em empurrar para o abismo.
Já Justin Bieber surpreende em Swag. O disco soa como um sonho mal lembrado, às vezes cantado pela metade. Aqui, o astro finalmente se permite mergulhar no R&B do fim dos anos 1980 e 1990, desejo antigo contido pela engrenagem da fama. O cansaço aparece, mas vem acompanhado de alívio.
Rosalía, por sua vez, aposta alto em Lux. A artista transforma a ideia de “popera” em manifesto. A escala ambiciosa do álbum, em um momento dominado por lançamentos rápidos e descartáveis, funciona como afirmação agressiva de posição artística. Rosalía consome o mundo com voracidade e devolve algo maior, mais elaborado e, sobretudo, transformador.

Bad Bunny, o ‘dono da p. toda!’
Outros discos reforçam essa sensação de enfrentamento criativo. Lotto, do They Are Gutting a Body of Water, entrega shoegaze violento, barulhento e, paradoxalmente, luminoso. Bon Iver retorna com Sable, Fable, um trabalho que parece vagar pela noite, tropeçar em excessos e voltar ao amanhecer carregado de histórias difíceis de digerir. Addison Rae, em seu disco de estreia Addison, constrói uma reflexão curiosamente sensível sobre feminilidade, tabloides e cultura digital americana.
Bad Bunny reafirma seu papel de elo entre gerações em Debí Tirar Mas Fotos. O álbum soa moderno, porém profundamente enraizado em tradições, defendendo a ideia de que tudo o que é velho já foi novo um dia. Taylor Swift, com The Life of a Showgirl, entrega talvez seu trabalho mais etéreo, focado menos em provar algo e mais em habitar prazeres contraditórios, do ódio ao conforto doméstico.
Dentro desse primeiro recorte, também ganham destaque projetos como o provocativo Let God Sort Em Out, do Clipse, e o melancólico Already Legend., de YFN Lucci. Playboi Carti fecha o ciclo com Music, álbum longo que tenta erguer um mundo inteiro a partir dos escombros do rap tradicional.

Outros álbuns que completam essa seleção
- Algernon Cadwallader — Trying Not to Have a Thought
- Amaarae — Black Star
- Corridos Ketamina — Corridos Ketamina
- Nick León — A Tropical Entropy
- Odumodublvck — Industry Machine
- OsamaSon — Jump Out
- Earl Sweatshirt — Live Laugh Love
- Zach Top — Ain’t in It for My Health
A ausência de um consenso sobre “o álbum do ano” não soa como fraqueza. Pelo contrário. Com menos lançamentos óbvios e algumas decepções de nomes muito aguardados, 2025 abriu espaço para descobertas e listas mais imprevisíveis.
Romper barreiras e elevar o nível sonoro
Na curadoria de Lindsay Zoladz, o foco recai sobre artistas que expandem limites sem perder identidade. Getting Killed, do Geese, marca a consolidação de uma grande banda nova-iorquina. Jovens, irônicos e reverentes na medida certa, os integrantes misturam Stones, Strokes e Velvet Underground com sarcasmo e energia crua. O vocal de Cameron Winter divide opiniões, mas sustenta um lirismo surpreendentemente sábio.
Water From Your Eyes aparece novamente com It’s a Beautiful Place, agora sob outra lente crítica. O projeto baseado no Brooklyn equilibra experimentalismo e composição direta, com guitarras em chamas e comentários ácidos sobre um mundo cada vez mais automatizado. Smerz, em Big City Life, traduz o caos emocional das grandes cidades em um disco excêntrico, detalhista e estranhamente sedutor.
Bad Bunny retorna nesta lista pelo impacto cultural de Debí Tirar Más Fotos, enquanto Bon Iver ganha nova camada de leitura em Sable, Fable, álbum que começa gelado e termina em degelo colaborativo. Dijon investiga a paternidade em Baby, fragmentando estruturas tradicionais de canção para criar algo mais íntimo e imprevisível.
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Greg Freeman surpreende com Burnover, disco que esconde, sob uma aparência despretensiosa, narrativas afiadas e observação social atenta. Jade Thirwall, ex-Little Mix, estreia em carreira solo com That’s Showbiz Baby!, um pop vibrante que celebra autonomia. Alex G, agora em uma grande gravadora, mantém sua excentricidade intacta em Headlights. PinkPantheress fecha o bloco com Fancy That, leve, livre e cheia de flerte.
Próximos lançamentos que também entram no radar
- Amaarae — Black Star
- Haley Heynderickx and Max García Conover — What of Our Nature
- Sharp Pins — Balloon Balloon Balloon
- Mamalarky — Hex Key
- Lady Gaga — Mayhem
- Earl Sweatshirt — Live Laugh Love
- Horsegirl — Phonetics On and On
- Rochelle Jordan — Through the Wall
- Rosalía — Lux
- Mavis Staples — Sad and Beautiful World
Entre diálogos com fãs, rupturas estéticas e revisões do passado, 2025 se afirma menos pela unanimidade e mais pela pluralidade. Um ano que exige escuta atenta, curiosidade e disposição para aceitar que a música pop, hoje, responde enquanto pergunta.
É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino

























