Novela vira moda: ‘A Nobreza do Amor’ invade o Rio Fashion Week
Por Flavia Cirino - 14/04/2026 - 13:22
A Nobreza do Amor - Foto Globo/Estevam AvellarA novela A Nobreza do Amor amplia seu alcance e chega a um novo território: a moda. Em uma ação inédita, a produção da TV Globo ocupa a passarela do Rio Fashion Week no próximo dia 17, no Píer Mauá, no Rio de Janeiro. Dessa forma, personagens e figurinos que já chamam atenção na telinha ganham vida diante do público do evento.
Desta vez, atores e atrizes deixam o cenário da novela e desfilam peças criadas especialmente para a trama. Além disso, modelos também participam da apresentação, o que amplia o alcance das criações. O desfile tem direção de Igor Verde, que integra a equipe da novela.
A iniciativa destaca o trabalho da figurinista Marie Salles e do caracterizador Auri Mota, responsáveis por um visual que mistura referências africanas e brasileiras dos anos 1920. Assim, o público poderá observar de perto peças que, até então, só apareciam na tela.

Pesquisa e criação detalhadas
Por outro lado, o processo de criação exigiu tempo e aprofundamento. As equipes mergulharam em referências históricas e culturais para construir um universo visual consistente. Além disso, cada figurino carrega detalhes que refletem esse cuidado.
“Eu acho essa ação muito importante, porque se trata de uma novela de época, que fala de uma cultura africana muito relevante e também da cultura brasileira, especialmente da cultura nordestina. São dois núcleos fortíssimos e estamos falando de uma época que se faz alta-costura. São roupas extremamente complexas, que levaram de 15 a 20 dias para serem confeccionadas. Alguns acessórios, como a cabeça do rei Cayman, personagem de Welket Bungué, a coroa do Benin, demoraram até três meses para ficar prontos. Começamos a produzir essa novela há seis meses, então é muito significativo apresentar um desfile com roupas que não são vendáveis, que não são moda no sentido comercial. Não é prêt-à-porter”, afirma Marie.
Além disso, ela destaca a estrutura dos Estúdios Globo. “É muito importante também mostrar que, no Brasil, é possível produzir peças desse nível dentro de um estúdio de televisão. Os Estúdios Globo contam com uma fábrica de beneficiamento onde é possível tingir, pintar e estampar tecidos por diversos processos. Fazemos joias, bordados e contamos com uma costura de excelência. É um estúdio de altíssima qualidade. O público vê isso na tela, mas passar essas roupas pela passarela é um verdadeiro deleite. As pessoas vão poder observar de perto peças super bem-feitas e bem-acabadas”.

Representatividade em destaque
Enquanto isso, o trabalho de caracterização também ganha visibilidade. Segundo Auri Mota, o processo envolve técnica e dedicação. “Estamos muito felizes com essa ação. Acho que ela é importante não apenas do ponto de vista estético, mas também como uma forma de representatividade de todas as pessoas que fazem isso acontecer”, disse.
Em seguida, explicou: “A caracterização envolve tempo, estudo e muita pesquisa, assim como a fabricação de cada peça de perucaria e de cada aplique. Muitos desses processos são totalmente artesanais, com costuras e bordados muito ricos. Será um grande prazer poder mostrar o nosso trabalho e, ao mesmo tempo, influenciar as pessoas a buscarem mais conhecimento e novos olhares sobre esse fazer artístico”.
Moda, arte e narrativa
Além disso, a proposta do desfile vai além da estética. Igor Verde aponta que a ideia conecta arte e identidade. “Desde que criaram a ideia de desfile de moda no século XIX, ao substituírem manequins estáticos por corpos humanos em movimento, esse tem sido o momento de unir sonho e realidade para quem deseja adquirir a roupa de uma determinada marca.
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Em nosso caso, não é uma marca de roupa, mas de alguma forma a ‘A Nobreza do Amor’ encerra em si o desejo de transformar o sonho em realidade de toda uma negritude brasileira”.
E finalizou: “É essa experiência que buscamos levar para a passarela: a experiência da nobreza negra, desse sonho sendo realizado através do desfile, obviamente, mas principalmente através dessa obra que esperamos que contribua para a construção do imaginário brasileiro daqui para frente”.
É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino






















