Grazi Massafera: ‘Dona Beja é a personagem que mais amei fazer’

Por - 28/01/2026 - 12:44

Grazi Massafera na coletiva de Dona BejaFoto: Edu Araujo/Agnews

A HBO Max chega com tudo em mais uma novela brasileira original na plataforma, já que “Dona Beja” estreia na próxima segunda-feira, 02 de fevereiro. Em coletiva de imprensa, na qual OFuxico esteve presente, o autor Daniel Berlinsky (que assina roteiro ao lado de António Barreira) e os atores Grazi Massafera, André Luiz Miranda, David Júnior, Deborah Evelyn, Erika Januza, Indira Nascimento, Pedro Fasanaro, Thalma de Freitas e Daniel Berlinsky deram mais detalhes da produção.

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“A gente está fazendo aqui uma releitura. Não é um remake, isso é superimportante. Mas não quer dizer que eu tenha desrespeitado ou alterado a novela original de 1986. Eu assisti, quando eu era criança, era uma novela de uma mulher à frente do tempo. Isso pra mim era o mais importante, isso aqui guiava toda a narrativa”, afirmou o autor sobre sua trama, logo de início.

Dona Beja e sua tragressão

Daniel prosseguiu destacando como fez uma mulher à frente do tempo, 40 anos depois, em 2026. De acordo com ele, a personagem fazia coisas que não se costumava ver na TV, sobretudo nas novelas.

“Porém, eu acho que a sociedade mudou muito menos do que a gente gostaria. Mas a consciência que a gente tem sobre o que é, o que nós somos como sociedade, se ampliou” continuou.

Elenco na coletiva de Dona Beja
Foto: Edu Araujo/Agnews

“Foi isso que me guiou no trabalho. Quando eu ponho a Beja de 2026 à frente do seu tempo, é como se o horizonte à frente dela fosse muito mais longe. Ela pode ir mais longe e, com ela, levar todos os outros personagens. Então, isso que me guiou, trazer o olhar de hoje do que é ‘à frente do seu tempo'”, completou ele, em seguida.

Projeto marcante dentro da Max

Adriana Silva Adidas, produtora executiva de ‘Dona Beja’, reforçou: “Como o Daniel disse, é uma releitura. É uma obra muito potente, mesmo sendo uma obra de época, é uma obra contemporânea, que a gente tem ela vivida brilhantemente pela Grazi e por personagens de muitas camadas”.

“É uma honra poder realizar ‘Dona Beja’ com a Max. Uma honra estar aqui apresentando Beja para vocês e agradecer a oportunidade de poder contar essa história de uma forma diferente”, prosseguiu. Renata Rezende, diretora de produção de conteúdo de ficção da Warner, completou: “Queria ressaltar só a importância de uma obra como essa para o nosso mercado audiovisual”.

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“‘Dona Beja’ é, assim como ‘Beleza Fatal’, que lançamos ano passado, um projeto muito pioneiro, que inaugura um novo formato as novelas para streaming. Então, assim como todo pioneirismo, exige um fôlego emocional e criativo, gigante. Então, eu queria agradececer também essas pessoas que estão aqui, que participaram de um processo muito potente e carinhoso”, indicou posteriormente.

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Grazi então descreveu: “A gente conseguiu trafegar por todos os núcleos, pelo menos eu, conseguiu contracenar com todos esses atores maravilhosos. Aprendi muito com cada um. E não tem como falar de Beija sem falar de Maitê [Proença]. Porque foi ela que transformou esse personagem num ícone, numa lenda, espetacularmente e vive no imaginário de todos, né, como a Beija”.

Grazi Massafera na coletiva de Dona Beja
Foto: Edu Araujo/Agnews

“E aqui a gente não está falando de um remake, está falando de uma releitura, como o Dani disse, que está linda. Tem poesia, tem muitas questões para a gente refletir. Os mais conservadores vão falar coisas absurdas, vão dizer que é lacração. Isso é bom também, dane-se, a gente não está indo para isso. Então vai ter de tudo, eu tenho certeza absoluta porque a gente enfia o dedo na ferida da sociedade”.

“Vai ter de tudo. Estou muito feliz, honrada com essa personagem. É uma personagem que abre portas, abre caminhos e me trouxe muita força. A cada dia de gravação eu aprendi cada dia mais com esse texto magnífico e com essa potência, e eu vejo, assistindo, que eu fui encarnando essa mulher. Então eu digo que acho que é a primeira vez que eu estou realmente encarnada em uma personagem com toda a minha força”.

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“Ela me emociona demais e eu posso dizer que, até agora, é o personagem que eu mais amei fazer e com uma grande parceria com o nosso autor, que poucas vezes eu tive, mas eu tive muita parceria com o Dani. E eu quero só agradecer a esse elenco divino, a HBO, por acreditar nessa história”, completou, em síntese.

Força feminina

Erika Januza revelou: “Minha personagem é a Candinha, que já começa no primeiro episódio muito forte ali, a primeira cena muito forte, que norteia ali um forte de injustiça. Mas é uma mulher que mesmo com as suas dores, dá a volta por cima. Que eu acho que é uma marca muito forte dessa novela, que tem a força feminina, por mais que essas personagens passem por questões muito fortes. Cada uma no seu lugar, na sua vivência, tem uma união ali de ‘temos que dar a volta por cima, e vencer”.

“Então acho Beja traz muito isso, ‘vamos nos unir porque somos melhores que isso’. E como é uma releitura, acho que isso é muito forte, para hoje, eu nem me lembro se tinha essa força toda dessa união lá atrás. Mas acho que essa mensagem de união feminina, de força, mesmo dentro das suas dores, é uma coisa que teve muito na novela”, afirmou ela.

Thalma de Freitas na coletiva de Dona Beja
Thalma de Freitas – Foto: Edu Araujo/Agnews

Pedro Fasanaro detalhou: “Eu faço Severina, que é essa amiga, essa parceira da Beja. E é uma relação que, pra mim, ela é muito inspiradora. E eu, de fato, espero que ela possa inspirar muitas pessoas também. Fala muito sobre sororidade, sobre esse empoderamento mútuo, essa força compartilhada. E eu espero que ela, de fato, possa inspirar muitas pessoas”.

Paixão dos atores pelos personagens

Indira Nascimento comentou: “Eu faço Maria, e eu quero dizer que desde a primeira vez que chegou pra mim esse teste, quando eu li as características do pouco que é revelado pra gente quando a gente, eu me apaixonei por ela. Isso porque eu consegui observar ali, naquelas poucas palavras, que ela era uma personagem apaixonada”.

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“A Maria tem uma pulsão de vida muito forte, é uma personagem quente e muitas vezes acaba se passando um pouco. Ela é que ela é muito humana, se contradiz, vai e volta. Ela é complexa, faz as coisas duvidosas. Sou muito apaixonada por ela, sou suspeita, eu sei”, disse a artista.

“Mas é um presente pra mim. Recebi a oportunidade de dar vida, corpo, pra uma personagem contar uma história de uma mulher que tá se compreendendo, entendendo a sua sexualidade, entendendo o que é o amor num contexto tão repressor que é o contexto que ela vive, eu acho que a gente precisa contar histórias assim” apontou a atriz.

“Existe uma comunidade, um grupo do qual eu faço parte, que é muito sedento por ouvir as minhas histórias, por ver essas histórias, então pra mim é um privilégio poder fazer parte desse projeto, com essas pessoas que eu admiro tanto, e eu espero que vocês recebam nosso filho como muito carinho, porque a gente fez esse trabalho com muita paixão, com muita dedicação”, garantiu ela.

Resistência e vilania

Thalma de Freitas disse: “É um prazer enorme voltar à televisão brasileira vestindo uma mulher culta, uma artista, uma intelectual, uma mulher amada, uma mulher com uma família sólida, uma mulher que representa todas as mulheres do mundo, em todas as épocas do mundo, nesse contexto onde parece que mulheres como nós não existimos, mas nós existimos, nós sempre existimos, e a Josefa Mendonça é a representação máxima disso”.

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Débora Evelyn apontou: “Realmente uma releitura linda profunda que fala de assuntos muito atuais apesar de se passar no passado. Fala de racismo, fala de homofobia, fala de machismo, enfim, fala da força da mulher através de todas as mulheres. Todas são fortes nessa história”.

“A minha personagem é a grande antagonista da Beja porque ela que tenta segurar tudo que a Beja tenta, ela quer que fique o status quo. Então, ela luta durante 40 capítulos para manter esse status quo. Aliás, ela é racista, mas ele é casada com um negro, ela tem dois filhos negros lindos, mas é racista. Olha que personagem incrível” elebrou ela em síntese.

Muitas camadas de negritude em ‘Dona Beja’

André Luiz Miranda descreveu: “O João é um cara muito legal, eu sou apaixonado pelo João. Eu falo desse carinho, desse afeto, porque nos tempos de casamentos arranjados, de dotes, ele é fruto de um amor da Dona Josefa e do José Mendonça. Então ele cresceu com esse carinho, com esse amor, com esse olhar limpo pelas pessoas”.

“Eu acho que ele é um cara que não tem medo nenhum de dizer o quanto ele ama, tudo que ele sente. Eu acho que é um cara também que luta muito pelos seus ideais, tem uma infância muito legal, são três amigos de infância. A gente tem o mesmo objetivo, mas pensa de formas diferentes” revelou.

“Isso é importante colocar também porque a gente sempre foi colocado no mesmo bolo né, as pessoas pretas sempre foram colocadas no mesmo lugar, com os mesmos pensamentos, e essa novela diz totalmente diferente que nós somos múltiplos, nós somos diversos, nós pensamos diferente, temos colocações diferentes. E essa parceria diz muito isso, porque a gente tem o mesmo objetivo, só que a gente pensa de formas diferentes a chegar nesse objetivo” refletiu o ator.

David Júnior na coletiva de Dona Beja
David Jr. Foto: Edu Araujo/Agnews

“Então eu acho que é uma obra muito importante, porque ela atravessa gerações, atravessa discussões e eu tô muito feliz de fazer parte disso, de fazer parte disso com esse elenco, na verdade também tem vários que naoestão aquim mas eu quero agradecer que foi um time muito grande, muito forte, muito dedicado pra trazer esse trabalho pra todos vocês, eu tenho certeza que vocês vão amar”, prometeu o rapaz.

Ancestralidade como papel presente na trama

Por fim, David Júnior detalhou: “Meu personagem, Antônio, ele traz uma ancestralidade que, para mim, foi mais que um presente poder representar, porque ele fala de legados, ele fala sobre a história que a avó dele construiu, que lindamente preciso homenagear e falar de Elisa Lucinda, que é um ícone nosso, artisticamente falando, que está com a gente nesse projeto”.

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“E aí ele traz essa ancestralidade/linhagem, que é uma coisa que a gente tem uma dificuldade muito grande de reconhecer. Fiz inclusive teste de DNA, recentemente, pra saber de onde eu vim, porque pra gente que é preto não tem esse histórico de onde vem, só tem a partir de dados que as dão”.

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“Então, ele tem um objetivo traçado desde a infância, ele precisa cumprir o legado que a avó dele deixou, só que, no meio do caminho, existe o amor, existe a paixão, existe o sentimento que ele nutre pela Beja e que é interrompido por conta de tudo que acontece. E ele vive essa dicotomia de cumprir um legado ou cumprir o que ele sente, se realizar como homem, como parceiro, enfim, como amante. E durante esses 40 capítulos, tem várias outras coisas que vocês vão assistir”.

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Raphael Araujo Barboza é formado em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. OFuxico foi o primeiro lugar em que começou a trabalhar. Diariamente faz um pouco de tudo, mas tem como assuntos favoritos Super-Heróis e demais assuntos da Cultura Pop (séries, filmes, músicas) e tudo que envolva a Comunidade LGBTQIA+.