Já conhece Marisa Maiô, a apresentadora sincerona criada por IA? Saiba tudo!
Por Flavia Cirino - 06/06/2025 - 10:35
Programa de Marisa Maiô foi totalmente criado por Inteligência Artificial - foto: Reprodução/ XisA internet foi surpreendida por um programa de auditório fictício que mistura drama, sarcasmo e estética retrô com um toque de surrealismo. Criado por Raony Phillips, responsável pelo sucesso de Girls in the House, o “Programa Marisa Maiô” atingiu mais de 1,7 milhão de visualizações em poucos dias, dominando as redes sociais e arrancando gargalhadas com cenas que parecem ter saído de uma paródia de domingo à tarde.
IA no whatssap: Você curte essa opção?
Feito inteiramente com inteligência artificial generativa, o vídeo simula com precisão os elementos clássicos da televisão popular brasileira. Há, por exemplo, espaço para lágrimas, reações exageradas da plateia, perguntas absurdas a médicos e até quadros que desafiam qualquer lógica. Tudo isso conduzido por Marisa, a anfitriã em maiô, que comanda a atração com um carisma propositalmente forçado.
Entre os momentos que viralizaram, o destaque vai para a cena em que uma convidada lamenta uma traição: “Eu só queria que alguém me dissesse que é mentira”. A plateia, conduzida por Marisa, responde em coro: “É mentira!”. Outro trecho inusitado mostra uma entrevista com um médium que, ao ser questionado sobre o que acontece após a morte, responde com a frase: “Não sei, ainda não morri”.
IA do Google para criar o fenômeno Marisa Maiô
Raony criou o vídeo com o auxílio da IA Veo 3, do Google, ferramenta que gera vídeos ultrarrealistas com base em descrições textuais. A tecnologia permite inserir trilhas, efeitos sonoros e falas sincronizadas. Mas, apesar da aparência convincente, Raony enfatiza que o processo exige um roteiro bem construído.
“Eu criei todo o texto, o formato do programa, tudo isso precisa ser detalhado”, explica o roteirista, em entrevista ao UOL News. Ele completou em seguida: “A IA não tem essa ideia do nada”. O criador vê a tecnologia mais como uma forma de entretenimento do que uma ferramenta profissional: “Eu geralmente faço esse tipo de coisa com meus amigos ‘de rolê’ e aí resolvi postar”.
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O sucesso inesperado do “Programa Marisa Maiô” também fez antes de mais nada, o público pedir por novos episódios. Comentários no X (antigo Twitter) mostraram o impacto do vídeo: “Quando sai a primeira temporada?”, “Pior que ela tem muito carisma” e “O cara criou um programa com IA que ficou tão bom que eu queria ver”, escreveram internautas.
Estética exagerada e absurdos construídos com precisão
A estética visual do vídeo, com cores saturadas e enquadramentos típicos dos anos 90, contribui para o impacto visual. O detalhe mais marcante é a plateia: “Tem a plateia, que está constantemente batendo palma, mesmo sem sair som, o que é muito engraçado”, comenta Raony. Esse tipo de artifício reforça o tom satírico e ao mesmo tempo escancara o uso da IA.
A construção dos personagens se deu com descrições minuciosas. De acordo com Raony houve necessidade de especificar o idioma usado para evitar erros: “É preciso escrever também que precisa ser português do Brasil, porque mesmo assim às vezes sai tudo em inglês”. O resultado é um conteúdo que parece real demais para ser verdadeiro, confundindo parte do público.
O exagero proposital nos diálogos também virou marca registrada. Em uma das falas mais comentadas, Marisa anuncia: “Hoje, a gente está aqui com essas lindas mamães e daqui a pouco uma delas vai ter que entregar um bebê para adoção contra a própria vontade”. O tom dramático, combinado com a estética antiquada, deu ao programa um charme bizarro que se encaixa perfeitamente na proposta.
Programa fictício virou símbolo do uso criativo da IA
Apesar da aparência tosca de propósito, o “Programa Marisa Maiô” não nasceu do acaso. Segundo Raony, a ideia foi testar os limites da IA e ver até onde o absurdo poderia se tornar divertido. “Eu fiz para testar a ferramenta. Sou muito fascinado por tecnologia, fico muito curioso. Acredito que todo mundo fica um pouco curioso”, afirmou.
Mesmo com os recursos tecnológicos, Raony alerta que a criatividade humana ainda comanda a produção. “A IA não faz nada sozinha”, reforça. A criação do formato, dos personagens, dos roteiros e das situações partiu inteiramente de sua mente. “Foi muito um trabalho de escrita, e isso é preocupante porque eu escrevi aqueles absurdos”, brinca.
O impacto da atração fictícia nas redes comprova o poder da criatividade digital aliada à inteligência artificial. Com um programa que parece real, mas não existe, Raony mostrou que a nova era da criação de conteúdo pode unir tecnologia e humor de forma inesperada — e viral.
É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino






















