Xuxa no ‘Saia Justa’: Revelações, sororidade e discussões marcam estreia

Por - 09/03/23 - Última Atualização: 12 março 2023

XuxaXuxa no Saia Justa (Reprodução/Globoplay)

A apresentadora Xuxa Meneghel participou da estreia da nova temporada do “Saia Justa” no GNT, no especial do Dia Internacional da Mulher na noite de quarta-feira, 8 de março, e abriu o jogo sobre o documentário que estreará no Globoplay em 2024 e contará toda a trajetória dela pelas telinhas. A produção foi dirigida pelo jornalista Pedro Bial. Completando 60 anos de idade, a Eterna Rainha dos Baixinhos, confessou que não conseguiu assistir a produção por completo e ainda completou dizendo que nem ela tinha noção de tudo que aconteceu em sua carreira:

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“Cheguei a ver. Não vi os cinco episódios, vi quatro e sai de lá bem impactada. Deu uma bugada na minha cabeça porque eu revi tanta coisa e coisa que não sabia que existia. Eles fizeram uma pesquisa enorme e nem sabia que tinha vivido tudo isso. Eu revivi tudo aquilo. Eles mexeram não só no meu baú, mas em caixinhas que estavam fechadas há muito tempo.”

Xuxa também afirmou que tem a sensação de que as pessoas que a conhecem irão ver o documentário e sentir que não sabia muito das histórias profundas de sua carreira:

“Acho que as pessoas que acham que me conhece vão ver aquilo ali e dizer “nossa, eu não sabia nada dela. Eu estou falando disso que eu não sabia daquilo”.

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Xuxa também pode ter alguns reencontros: Um com a sua ex-empresária Marlene Mattos e outro com Boni, ex-diretor da Globo. A apresentadora ressaltou que a produção irá mostrá-la de um jeito que ninguém nunca viu: Fragilizada e muito vulnerável

“Não é aquele documentário para dizer que eu me amo. O Pedro tem muito carinho por mim e eu tenho muito por ele, mas ele não me colocou no pedestal. Vocês vão me ver frágil, acolhida e de todas as maneiras. Assim que eu saí dali eu falei ‘fui muito abusada’. Foi abuso de confiança, vivi todos os tipos de abuso no meu trabalho, não apenas da Marlene…. Acima de tudo, eu acreditava porque vivia no mundo da fantasia e eu achava que eles estavam me protegendo”.

Outro ponto que a artista colocou é que entrar de cabeça nas memórias da década de 80 e 90 a fizeram questionar como foi que ela conseguiu sobreviver:

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“Saí dali pensando: ‘como é que eu deixei fazer tudo isso comigo, como aceitei tudo isso. Como é que eu estou viva e sobrevivi a tudo isso?’. Então, vai ser um choque muito grande para as pessoas”.

SORORIDADE E EQUIDADE

Na estreia da nova temporada do “Saia Justa” durante o Dia Internacional da Mulher, Xuxa também comentou sobre a falta de sororidade entre as mulheres nas redes sociais e sobre as pressões estéticas que sofre:

“Eu vejo, por exemplo, na rede social. Quando a gente faz alguma coisa errada ou posta uma foto ruim, as primeiras que diminuem a gente são as mulheres. Não são os homens que vão lá diminuir a gente – seja um erro no trabalho, um erro de fala, de posição, seja lá qual for”.

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A apresentadora ainda apontou e analisou o motivo do comportamento enraizado nas mulheres que acabam afetando todas em algum nível:

“As mulheres estão tão acostumadas a serem diminuídas pelos homens, que elas acham que também estão nesse direito. Ao invés de darmos as mãos, a gente se empurra, porque a gente sempre foi empurrada. Enquanto existir esse ‘empurra para baixo’, enquanto a gente não acreditar na gente mesmo, a gente vai ficar só no sonho”.

Astrid Fontenelle também apontou que as discussões sobre o tópico ganham mais forças e mais apontamentos quando se fala sobre uma situação que envolve o empoderamento financeiro de uma mulher. Gabriela Prioli enfatizou o pensamento e concordou, apontando que quando uma mulher fala sobre dinheiro ela é vista como arrogante e ambiciosa, discurso que é usado ao contrário quando se trata de homens:

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“Quando a mulher ousa falar de dinheiro, e a dependência financeira é um fator de risco para a violência contra as mulheres – que ficam nos relacionamentos porque não têm como se sustentar -, elas são tidas como arrogantes, ambiciosas demais, gananciosas. É um discurso que não é legitimado. Se você é mulher e diz que quer ganhar dinheiro, você vai ser vista como uma megera”.

Outro tópico com relevância extrema discutido por todas as presentes foi sobre como é complicado equilibrar a vida pessoal e profissional e como sempre mulheres são cobradas muito mais a respeito deste tópico. Questionada se ainda existe essa disparidade, Xuxa responde:

“Sim, ainda é! É muito difícil!”.

Bela Gil completou com uma frase e um pensamento:

“Tem uma frase que eu gosto muito que representa este dilema: ‘Trabalhe como se você não tivesse filho e cuide dos filhos como se não trabalhasse’. É complicado.”

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Larissa Luz completa a discussão dizendo que até aceita ser chamada de guerreira, mas, heroína não, porque existe um mito de não humanidade, e que é visto de um ponto aonde estas tem super poderes, e as guerreiras usam armas reais:

“As mulheres superpoderosas é uma grande armadilha capitalista para fazer a gente trabalhar muito mais”.

ESTÉTICA

Xuxa aproveitou para mandar aquele recado para quem gosta de a criticar e julgar a sua aparência e ditar como ela deveria ou não se comportar:

“Larga do meu pé! Antes dos 60 anos eu já falava o que eu queria, imagina depois dos 60 anos. Me deixem em paz! Eu só vou fazer plástica quando eu quiser. Eu vou fazer o que eu quiser com o meu corpo a hora que eu quiser.Não precisa você dizer que eu estou velha, porque eu sei. Eu tenho espelho em casa. Mas também tenho um homem que fala para mim que eu estou gostosa. Pronto, acabou”.

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Em outro momento, Larissa ressaltou que a pressão estética sempre esteve presente, e ainda relembrou sobre a época que assistia As Paquitas e como aquilo mexeu com ela, a fazendo querer ser loira para ser paquita, mas, que não se enxergava ali:

“É uma cobrança nossa que vem de outros lugares. Acho que a cultura estética da insatisfação ela venda, parece que estamos sempre sobre a regência de um sistema patriarcado e racista. (…) A gente vive as consequências deste sistema. Eu, quando era pequena, queria ser loira. Eu era sua fã e queria ser paquita da Xuxa. E olhava as paquitas e não me via. Todo este sistema cria uma redoma de imagens que fazem que a gente acredite que nós não podemos ser a gente.”

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Xuxa também esclareceu que ela tinha uma paquita negra, mas, que só nos Estados Unidos porque lá não existia uma diretora racista que não permitia a inclusão de pessoas pretas em seus programas.

Outro forte momento de desabafo foi um procedimento que Xuxa passou sem sua autorização, e ela relatou como se sentiu após entender que seu corpo foi alterado sem sua autorização:

“Ela começou a fazer um desenho na minha barriga, desceu para minha bunda. E eu falei não. Questionei porque ela estava me desenhando, ai ela riu e não falou nada. Quando eu acordei, tinha 320ml de peito, a mulher fez uma lipo na barriga, botou no bumbum. Acordei com dois roxos nos olhos e eu queria matar a mulher. Sentia dor no corpo todo e não entendia o porquê”

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REVELAÇÃO

Empoderada e sem papas na língua, Xuxa revela uma coisa inusitada que gostaria de fazer antes dos 60, e até agora não conseguiu realizar: Ir á uma casa de Swing e foi aplaudida pelo elenco. Ela seguiu explicando a motivação:

“Eu comecei a namorar muito cedo e tive logo um relacionamento de 6 anos, e eu tive um relacionamento atrás do outro, estou com o Junno há 10 anos. Gostaria de ver o que é”.

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O NOVO SAIA JUSTA

Com a apresentação da incrível Astrid Fontenelle, a nova temporada ganhou duas novas apresentadoras para discutir todos os assuntos sem filtros e com muito conhecimento: Bela Gil, ativista e chef de cozinha juntamente com a advogada, professora e influencer Gabriela Prioli. O time do talkshow fica mais completo com a atriz e cantora Larissa Luz.

Novo Elenco de Saia Justa com participação de Xuxa (Kelly Fuzaro)
Novo Elenco de Saia Justa com participação de Xuxa (Kelly Fuzaro)

Na abertura da nova temporada com a presença de Xuxa, Astrid começou com uma primeira pergunta: “Você, mulher, gosta da sensação de luta com festa?”. A resposta da mãe de Sasha Meneghel vem com um sonoro não e com a seguinte justificativa:

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“Não! Acho que a gente não precisava passar por uma série de coisas, não precisava lutar tanto. Digo ‘a gente’ porque eu já peguei uma época em que a mulher foi olhada como um pedaço de carne”.

Exaltando o dia 8 de Março, Prioli também relembrou o motivo da criação do Dia Internacional da Mulher

“O dia 8 de março surge como enaltecimento da luta das mulheres por melhores condições de vida, e isso é transformado numa data comemorativa para esvaziar de sentido essa data, então, nesse sentido, a festa é ruim. Mas, se a gente pensar numa luta contínua que abre espaço para que nós desfrutemos das nossas condições e das nossas conquistas, é ruim. Então, esvaziar completamente a festa é negativo, assim como esvaziar a luta é negativo”.

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Em formação no Jornalismo pela UMESP. Escreve sobre cultura pop, filmes, games, música, eventos e reality shows. Me encontre por aí nas redes: @eumuriloorocha