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‘Já tive crise de ansiedade’, diz Débora Falabella sobre identificação com personagem de filme

Divulgação/Jorge Bispo

Em seu mais recente trabalho, a atriz Débora Falabella interpreta no filme “Depois a Louca Sou Eu”, uma personagem inspirada na escritora Tati Bernardi. Em entrevista exclusiva ao OFuxico, ela falou também da segunda temporada de “Aruanas”, meio ambiente, assunto que será abordado na série, novos projetos, mulheres no cinema e filosofou sobre mente sã e a passagem do tempo.

“Depois a Louca Sou Eu”

“No filme, não só essas questões são tratadas, por ela ser hipocondríaca ou ter TOC, ela sofre com crises de ansiedade e teve episódios de síndrome do pânico", disse.


"Eu me identifiquei porque sou uma pessoa ansiosa também, apesar de não parecer, porque sou muito calma, eu já tive alguns episódios de crise de ansiedade, eu me identifiquei por poder falar desse assunto sem ser um tabu", afirmou.

"Colocamos esse assunto e falamos como se ninguém passasse por isso, como se ninguém nunca tivesse uma crise de ansiedade, como se ninguém vivesse com essas questões relacionadas à saúde mental, principalmente nos tempos de hoje. Eu me identifiquei nesse sentido, de poder falar de coisas que muitas vezes me assolaram e me assolam de maneira aberta e até com um certo humor”, completou.

“Nós atores não procuramos personagens para expor as nossas fragilidades, procuramos personagens porque a gente se interessa por eles, pela história deles, porque a gente tem vontade de interpretá-los e por ser desafiador, divertido, e no caso da Dani foi assim. A gente procura expor as nossas fragilidades para os nossos terapeutas, na nossa intimidade, claro que personagens interessantes são muito humanos, muitas vezes eles acabam tendo fragilidade e questões que nos assolam, mas não busco interpretar um personagem para isso”, respondeu a atriz.

“Aruanas”

“É uma alegria gravar a segunda temporada de ‘Aruanas’, a primeira teve um impacto muito forte porque trata de questões urgentes. A questão ambiental, durante muito tempo era discutida só por alguns nichos, muitas pessoas não se interessavam, e trata-se da nossa sobrevivência, do nosso futuro, do futuro dos nossos filhos, é uma questão mais do que urgente. Não podemos viver nesse planeta e não nos preocupar, e a segunda temporada vai falar um pouco mais sobre poluição, ela é situada na grande São Paulo, é um assunto muito urgente para abrir os olhos para causas que geralmente passam desapercebidas e a gente não cobra da sociedade e dos governantes. Por isso, a série é tão importante, porque através do entretenimento, ela pode despertar essa vontade de questionamento de muitas pessoas”. 

Meio Ambiente

“É uma questão que não conseguimos nem discutir porque a maneira como o governo atual lida com as questões ambientais, é vergonhosa. Temos um Ministro do Meio Ambiente e um presidente que olham para essa questão de uma maneira completamente catastrófica e vergonhosa", disse.

 

"Claro que desde antes deste governo, o Brasil precisava ter olhado de uma maneira muito mais cuidadosa, a gente sofre com o desmatamento há muito tempo, a gente nunca olhou da maneira correta, nunca colocamos atenção onde deveríamos, mas estamos vivendo um momento catastrófico de gestão ambiental”, afirmou. 

Novos projetos 

“Estou gravando ‘Aruanas’ até julho, no cinema tenho um filme que eu gravei ano passado na Argentina, no Ushuaia, falado em espanhol, que deve ser lançado ainda esse ano. E no teatro, foi adaptado todos os espetáculos do grupo ‘3 De Teatro’ para o formato online, o que foi bem trabalhoso, mas fizemos essa mostra de repertório para comemorar os 15 anos do grupo. Temos nos apresentado, exibido esse repertório online, mas os planos do ‘Grupo 3’ estão um pouco parados por conta da pandemia. Temos várias turnês que haviam sido marcadas, e tivemos que adiar, uma provável turnê em Portugal, mas por enquanto estamos parados”, lamentou. 

Oscar 2021

“A premiação do Oscar foi muito bonita esse ano, foi bem diversa, tivemos duas diretoras concorrendo. Essas mudanças já estão acontecendo há algum tempo, principalmente nos Estados Unidos, isso é forte, e eu acompanho com muito bons olhos, sou mulher, trabalho desde muito tempo, nesses últimos anos tenho feito trabalhos onde mais da metade da equipe é feminina, e isso realmente não acontecia há um tempo, queremos para as nossas vidas e dos nossos filhos, igualdade e mudança”.

Mente sã

“É um trabalho diário para mantermos a sanidade, por estarmos trancados em casa, os nossos filhos estudando em casa, muitas vezes estamos impossibilitados também de realizar o nosso trabalho, principalmente pela situação do país, que tem gerado angústia, estresse muito grande, muito difícil passar por tudo que estamos passando, vemos tantas notícias, tanta coisa acontecendo no nosso país, e passar por isso de uma forma tranquila não tem como. Mas ao mesmo tempo precisamos sobreviver, precisamos seguir, ter força para lutar. Eu tento me cuidar, tento ler as informações realmente necessárias, seguir trabalhando, tendo momentos de diversão, tentando enxergar as coisas boas que também acontecem, mas é uma luta diária”, filosofou. 

Passagem do tempo

“Esse mundo veloz tem sido muito prejudicial para gente em todos os sentidos, e quando eu digo pra gente, eu falo também para o nosso meio ambiente, como a gente lida com as coisas, com o dinheiro, com a nossa saúde mental e física também. Eu acho que a pandemia claro que abriu os olhos de muita gente para algumas questões, mas não que seja a solução, precisamos realmente começar a pensar fora da caixa, pensar um pouco mais no coletivo. É importante. Em relação ao tempo, eu vejo que às vezes deixamos passar muita coisa, como não aproveitamos o presente, os momentos que temos de prazer, de alegria, de felicidade. Estamos sempre pensando no depois, e a pandemia dá uma sensação geral de finitude mesmo, eu enxergo muito essa questão do aproveitamento real do tempo, de como aproveitar a vida e o tempo, de uma maneira saudável, respeitosa com o outro”, concluiu.