Juliano Cazarré: Curso causa revolta e expõe guerra ideológica

Por - 23/04/2026 - 11:23

Curso de Juliano CazarréCurso de Juliano Cazarré divide opiniões - Foto: Reprodução/ Instagram @cazarre

O anúncio de “O Farol e a Forja”, curso presencial idealizado por Juliano Cazarré, incendiou as redes e abriu uma nova frente de tensão no meio artístico. Vendido como o “maior encontro de homens do Brasil”, o evento, marcado para julho em São Paulo, propõe discutir masculinidade, legado, paternidade e espiritualidade. No entanto, antes mesmo de acontecer, a iniciativa já se transformou em campo de batalha cultural.

Como funciona o movimento ‘Legendários’?

A polêmica gira em torno do discurso central do projeto, que parte da ideia de um suposto “desamparo da figura masculina” e sustenta que “o mundo precisa de homens que assumam seu papel”. Foi justamente essa narrativa que despertou reações duras. Para críticos, o problema não está em debater masculinidade, mas no modelo de masculinidade que estaria sendo promovido.

Artistas reagem e acusam discurso perigoso

Entre as vozes mais contundentes, Marjorie Estiano apontou que o ator reproduz uma lógica “ampla e profundamente difundida” que, segundo ela, alimenta estruturas de violência contra mulheres. Já Claudia Abreu ampliou o tom ao lembrar o cenário brasileiro de feminicídios e questionar o timing e o simbolismo de propostas desse tipo.

Juliano Cazarré desabafa após polemizar em post

Outras manifestações vieram em sequência. Elisa Lucinda classificou o projeto como um “delírio preocupante”, enquanto Julia Lemmertz e Betty Goffman também expressaram desconforto. Além disso, surgiram críticas ao uso de referências cristãs na proposta, sobretudo pela associação entre religiosidade e um discurso que parte do público considera excludente.

E é justamente aí que o debate explode para além do curso.

Porque, enquanto artistas denunciam um retrocesso disfarçado de reflexão, apoiadores de Cazarré enxergam censura e perseguição ideológica. Para esse grupo, discutir valores tradicionais e identidade masculina virou, indevidamente, tabu. O ator, aliás, alimentou essa leitura ao afirmar que “já foi cancelado várias vezes” por suas posições e indicar que não pretende recuar.

Masculinidade ou reação conservadora?

No fundo, a controvérsia expõe uma disputa maior sobre gênero, poder e narrativa pública. O curso acabou se tornando menos um evento e mais um símbolo dessa polarização.

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Não por acaso, até a postagem enigmática de Leticia Cazarré sobre “reinvenção” foi lida como resposta indireta ao furacão.

Com o evento mantido, a tensão só cresce. E a pergunta que ficou ecoando nas redes talvez explique o tamanho da repercussão: trata-se de um espaço legítimo de formação ou de uma embalagem moderna para velhos discursos de poder? É essa dúvida — e não apenas o curso — que colocou Juliano Cazarré no centro do debate.

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É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino