Polícia Civil conclui inquérito sobre morte de Marília Mendonça; advogado discorda

Por - 04/10/23

Marília Mendonça olhando de lado, com flor no cabelo e batom vermelhoFoto: Reprodução Instagram @mariliamendoncacantora

A Polícia Civil de Minas Gerais divulgou nesta quarta-feira, 04 de outubro, as conclusões do inquérito relacionado à queda do avião que resultou na morte de Marília Mendonça e outras quatro pessoas em Caratinga, no leste do estado, em 2021. Segundo o inquérito, os pilotos foram responsabilizados por homicídio culposo triplamente qualificado.

Devido às mortes dos ocupantes da aeronave, a Polícia Civil optou pelo arquivamento do caso. O delegado Ivan Lopes, responsável pela investigação, declarou em uma coletiva de imprensa que as possibilidades de mal súbito dos pilotos, falha mecânica ou um possível atentado foram descartadas ao longo da investigação.

Ele explicou: “À medida em que as provas foram conduzidas, chegamos à conclusão de que houve negligência e imprudência por parte dos pilotos, o que resultou na queda. A aeronave, de fato, colidiu com uma torre que não estava sinalizada. A ausência de sinalização poderia prejudicar a visão dos pilotos, mas não era obrigatória.”

O delegado também mencionou que as torres de energia estavam localizadas fora da zona de proteção do aeródromo. Segundo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), as torres foram identificadas como a principal causa do acidente, apesar de a aeronave seguir padrões de voo normais, indicando uma mudança de rota.

Advogado das famílias discorda

O advogado que representa as famílias do piloto e co-piloto que faleceram no acidente aéreo envolvendo a cantora Marília Mendonça expressou sua discordância em relação à conclusão do inquérito que responsabilizou a dupla.

Sérgio Alonso, o advogado das famílias, declarou que não pretende dar continuidade a um possível processo judicial devido à conclusão do inquérito. Ele afirmou: “Não interessa para nós. A conclusão é absurda, mas não vou perder tempo com essas conclusões, é um verdadeiro nonsense.”

Segundo a PCMG, o acidente foi atribuído à imprudência e negligência por parte do piloto Geraldo Martins de Medeiros e do co-piloto Tarcísio Pessoa Viana, ambos falecidos no acidente.

Alonso também responsabilizou a empresa de energia Cemig pelo acidente, alegando que a instalação de uma rede de alta tensão próxima ao aeroporto de Caratinga teve um papel no ocorrido. As famílias mantêm um processo em andamento contra a empresa de energia. De acordo com a reportagem do jornal Estado de Minas, a Cemig foi procurada para falar do assunto, mas ainda não se pronunciou.

A causa principal foi determinada como o choque com as linhas de transmissão da Cemig, que não estavam sinalizadas. A PCMG afirmou que a sinalização não era necessária de acordo com as normas da aviação brasileira, pois as linhas estavam fora da área de manobra da pista.

Acidente e inquérito

  • Marília Mendonça nos deixou quando morreu aos 25 anos novembro de 2021 após sofrer um acidente fatal de avião em viagem para Minas Gerais, deixando todo o país de luto após perder uma de suas maiores vozes da nova geração de artistas, além de ter dominado o gênero sertanejo com maestria.
  • O corpo da artista foi velado um dia depois de sua morte no Ginásio Goiânia Arena. Muitos amigos e fãs de Marília foram dar um último adeus para a artista.
  • Após a morte de Marília Mendonça, a guarda do pequeno Léo, hoje com 3 anos, ficou entre o pai dele, Murilo Huff, e a avó após o acidente fatal.
  • Em maio de 2022, A Polícia Civil retomou as investigações do caso sobre o acidente que matou Marília Mendonça e demais membros de sua equipe. Após um mês parado, o Superior Tribunal de Justiça tomou a decisão da retomada do caso
  • Quase dois anos depois, em maio deste ano, em um laudo da perícia, foi afirmado com convicção de que as informações da ocorrência aeronáutica do Cenipa detalham que as investigações “não buscam o estabelecimento de culpa ou responsabilidade, tampouco se dispõem a comprovar qualquer causa provável de um acidente”.
  • Em junho deste ano, a Justiça determinou que o ex-empresário de Marília Mendonça, Gabriel Gonçalves Ramalho, não tem nenhum direito à herança da cantora. Ele movia uma ação, pedindo o valor de R$ 9 milhões do dinheiro deixado pela cantora
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