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Roteirista de “Viúva Negra” sobre cena pós-crédito: ‘Era para ser mais longa’

Viúva Negra e Yelena na moto

Viúva Negra e Yelena na moto (Divulgação/Marvel Brasil)

Viúva Negra era um dos filmes mais aguardados de 2021. Depois de ser adiado inúmeras vezes em função da pandemia do novo coronavírus, os fãs puderam degustar e descobrir a história de Natasha Romanoff, personagem interpretada por Scarlett Johansson no universo Marvel. 

Em entrevista, Eric Pearson, roteirista de “Viúva Negra” e de grandes filmes, como “Thor: Ragnarok” e “Godzilla vs Kong”, revelou se achava mais fácil abordar assunto delicados, como questões familiares, usando uma narrativa fantasiosa, como uma história de super-herói. 

“Sempre é difícil, até posso dizer que é mais fácil das pessoas digerirem e assistirem, mas esse era um ponto que eu abordava com nossa diretora, Cate Shortland, eu queria mergulhar em questões familiares, mas com a graça de que todos usavam trajes de super-heróis na mesa de jantar. Isso que faz com que tudo seja mais diferente, mais interessante e, talvez, mais suave para o espectador”, contou.” Há uma grande demanda até chegar no conflito real, emoções reais, nas conexões, nas catarses… Sempre demora um tempo para chegar lá.   

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Intenso, o roteirista também contou o que filme solo de Natasha Romanoff tem de tão especial e que faz com que o mesmo se diferencie dos outros filmes da Marvel. 

“O que Viúva Negra tem de especial é a natureza pessoal. É o pilar de todo o universo. Vimos Natasha Romanoff com os Vingadores, vimos ela lutar nas maiores batalhas de todos os tempos, e no início do filme, essa personagem que assistimos em, pelo menos, uns seis, 7 filmes, se torna alguém ‘normal’. Essa pessoa que você começa a conhecer pelo seu passado, algo que eu espero que seja surpreendente. Tomara que isso faça com que o público nos permita abrir o mundo dela, o passado dela, e mostrar que nem sempre as pessoas são o que aparentam ser”. 
 

Mesmo experiente, Eric contou sobre as cenas que mais o desafiaram como roteirista, 

“Foram duas coisas: A cena do jantar em família, que é uma cena longa. Essa foi bem complicada, mas muito satisfatória de escrever, principalmente pelo fato de estarem todos reunidos, com muito conflito emocional, comédia, mas também tinha que haver muita exposição ali. Portanto, chegar na medida certa desta cena foi bem satisfatório. A outra, foi o final, sem spoilers, mas foi um desafio, porque tínhamos personagens em vários lugares diferentes do mundo, alguns personagens sabiam algo que outros não sabiam, então foi complicado manter a linha de tudo e ligar os pontos”, revelou. 

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Sem dar spoilers, Pearson falou sobre a cena pós-crédito e como foi escrevê-la. 
 

Natasha Romanoff morre em Vingadores: Ultimato, portanto, sabíamos que seria algo envolvendo o luto. Algo com Yelena sabendo o local exato do túmulo já era um ponto emocional que haveria. Além disso, temos Valentina. Quando eu soube que haveria essa personagem, Valentina, que seria interpretada pela Julia Louis-Dreyfus eu voei para o computador para escrever, eu estava muito animado. Eu amo tirar onda, amo pegar um momento bonito e emocional e acabar com ele, então, a ideia de ter Yelena e Valentina foi muito divertido para mim”, disse. 

“Eu já estava animado o suficiente de ter Florence Pugh e Julia. Honestamente, a cena estava bem mais longa, porque sou um roteirista egoísta que escreve uma cena de seis páginas, e eu queria que elas tivessem algumas trocas no diálogo várias vezes, mas quando você consegue essa dinâmica mais rápida entre os atores, não tem preço”.  

Por fim, Eric contou qual a grande mensagem que “Viúva Negra” deixa para o mundo. 
 

“Eu diria que é: Se ame e se aceite, você não é seu passado e o que interessa é você tentar fazer o seu melhor, você aprende e tenta fazer melhor. Acho que é sobre isso o filme, ela pensou que podia apagar permanentemente partes mais ‘sombrias’ do passado e na realidade tudo isso era uma parte dela e ela ter que aceitar, se perdoar, porque a verdade é que ela nasceu para ser uma heroína, e, só porque ela cometeu alguns erros, isso não faz dela menos heroína, ela só teve que amadurecer a partir disso”, contou.