Carnaval 2024: Portela exalta a força das mulheres negras e espalha afeto

Por - 12/02/24 - Última Atualização: 13 fevereiro 2024

Portela – Desfile 2024

Para refazer os caminhos imaginados da história da mãe Preta, Luíza Mahim, a Portela teve a missão de abordar o romance da escritora Ana Maria Gonçalves, na segunda noite de desfiles do Grupo Especial, neste Carnaval. Primordialmente, a águia de Madureira reservou momentos emocionantes.

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Portela – Desfile 2024
Roberto Filho / Brazil News

Antes de mais nada, com o enredo “Um Defeito de Cor”, a azul e branco de Madureira mostrou a força da mulher negra e as heroínas pretas do Brasil, frequentemente enfatizada nas alas.

Além disso, a agremiação – que no ano amargou o décimo lugar ao cantar o seu centenário – destacou um projeto dedicado a todas as mães.

Em síntese, foi uma forma de demonstração de afeto e gratidão por conta da recém-chegada da dupla de carnavalescos Antônio Gonzaga e André Rodrigues à escola de samba.

Roberto Filho / Brazil News

“Acreditamos que esse enredo é a nossa mais profunda manifestação de afeto nessa chegada. É um enredo que dedicamos a nossas mães, nossas avós e a cada mulher preta que carrega a força de sobreviver, ser e semear novas histórias”, disse Gonzaga, primeiramente.

De acordo com o profissional, trata-se de um espelho de todas as mulheres pretas do Brasil: “A Luiza é uma mulher que acaba sendo um pouco de todas as mulheres negras que conhecemos. Relacionamos ela as mães pretas desse pais”, completou André Rodrigues.

Portela – Desfile 2024
Roberto Filho / Ag News

Como foi o desfile                                

Primeiramente, o título do enredo, “Um Defeito de Cor”, foi baseado no artifício da dispensa do defeito de cor usado por negros no século passado. Quando acatado, os permitia exercer cargos de importância na religião, governo e na política.

E justamente esta característica, a da cor, que posicionou os personagens deste Carnaval da Portela. De acordo com o carnavalesco André Rodrigues, caminhos, histórias e consequências que apenas se explicam por serem vivenciadas por sujeitos negros no Brasil conforme explica.

Assim sendo, a Portela espera ter encerrado neste Carnaval um jejum de mais de 50 anos sem vencer um campeonato de forma isolada.

Taís Araujo - Portela – Desfile 2024
Roberto Filho / Brazil News

O sonho da Portela sempre esteve centrado no afeto. Por isso, o enredo destacou uma outra perspectiva, refazendo os caminhos imaginados da história da mãe preta, Luíza Mahim.

“Um Defeito de Cor”, em suma, é a história da luta preta no Brasil incorporada em uma mulher que enfrentou os maiores desafios inimagináveis para continuar viva e preservar suas heranças e raízes.

Por fim, Antônio Gonzaga resumiu: “A história de uma mãe, heroína, filha de África, que pariu a liberdade dessa nação. É uma honra imensa contar essa história e sempre imaginar esse reencontro de Luísa com Luís Gama. Essa história fala de todos nós, ao passo que é a nossa identidade construída no tempo, neste Carnaval”, finalizou.

Enfim, a Portela está, mais uma vez, entre os grandes destaques da Sapucaí.

Veja a ficha técnica

Enredo: Um Defeito de Cor
Carnavalescos: Antônio Gonzaga e André Rodrigues
Diretor de Carnaval: Júnior Schall
Intérprete: Gilsinho
Mestre de Bateria: Nilo Sérgio
Rainha da bateria: Bianca Monteiro
Mestre-sala e Porta-bandeira: Marlon Lamar e Squel Jorgea
Comissão de Frente: Leo Senna e Kelly Siqueira
Famosos: Lázaro Ramos, Taís Araújo, Sheron Menezzes, Cafú, Glória Pires e Orlando Moraes

Confira a letra do samba

O samba genuinamente preto
Fina flor, jardim do gueto
Que exala o nosso afeto
Me embala, oh! mãe, no colo da saudade
Pra fazer da identidade nosso dialeto
Omoduntê, vim do ventre do amor
Omoduntê, pois assim me batizou
Alma de Gege e a justiça de Xangô
O teu exemplo me faz vencedor
Sagrado feminino ensinamento
Feito águia corta o tempo
Te encontro ao ver o mar
Inspiração a flor da pele preta
Tua voz, tinta e caneta
No azul que reina Yemanjá

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Salve a lua de Bennin
Viva o povo de Benguela
Essa luz que brilha em mim
E habita a Portela
Tal a história de Mahin
Liberdade se rebela
Nasci quilombo e cresci favela!

Orayeye oxum, Kalunga!
É mão que acolhe outra mão, macumba!
Teu rosto vestindo o adê
No meu alguidar tem dendê
O sangue que corre na veia é Malê!
Em cada prece, em cada sonho, nêga
Eu te sinto, nêga
Seja onde for
Em cada canto, em cada sonho, nêgo
Eu te cuido, nêgo cá de onde estou

Saravá Keindhe! Teu nome vive!
Seu povo é livre! Teu filho venceu, mulher!
Em cada um nós, derrame seu axé!

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É jornalista formada pela Universidade Gama Filho e pós-graduada em Jornalismo Cultural e Assessoria de Imprensa pela Estácio de Sá. Ela é nosso braço firme no Rio de Janeiro e integra a equipe de OFuxico desde 2003. @flaviacirino